Bobók e Meia carta de um sujeito (Fiódor Dostoiévski)

    R$ 27,90 R$ 27,90 27.900000000000002 BRL

    R$ 27,90

    Option not available

    This combination does not exist.

    Adicionar ao carrinho



    "Publicados pela primeira vez em 1873, em Diário de um escritor, coluna que Fiódor Dostoiévski (1821-1881) assinava na revista O cidadão (Grajdanin), Bobók & Meia carta «de um sujeito» respondem a algumas querelas do autor com seus contemporâneos ao mesmo tempo que descortinam uma sociedade desigual e hipócrita e os estranhos meandros do jornalismo.

    Em Bobók, temos um escrevinhador que escuta vozes do além num cemitério, expondo nelas toda a dissimulação de uma elite hierarquizada. Enquanto, na desconcertante Meia Carta «de um sujeito», o mesmo escritor “que apareceu na revista falando a propósito de uns ‘tumulozinhos’” retrata dois folhetinistas que se atacam convulsivamente em nome de seus patrões: «Bom seria se tu saísses em tua própria defesa! Ao contrário, o que mais me surpreende em ti é que tu realmente perdes a cabeça, sobrecarregas o coração como se fosse por teu quinhão, brigas com o folhetinista rival como se brigasses por tua ideia predileta, por uma convicção que é a ti mesmo preciosa. No entanto, no fundo tu mesmo sabes que não tens ideias próprias, muito menos convicções».

    Na produção jornalística de Dostoiévski, estas duas pequenas ficções destacam-se pela filiação à tradição gogoliana, com o uso do cômico, do fantástico e do grotesco no cotidiano.

    COLEÇÃO MIR

    A Coleção Mir reúne edições bilíngues da prosa curta russa, contos e novelas, de escritores consagrados, como Fiódor Dostoiévski e Lev Tolstói, mas também de nomes menos conhecidos no Brasil, como Fiódor Sologub e Zinaída Guíppius. Cada livro também acompanha uma leitura do texto feita por um russo nativo — o áudio pode ser acessado pelo QR Code impresso na capa. Mir, em russo, significa “paz” e “mundo”." 

    Tradução: Moissei Mountian e Daniela Mountian

    Capa e diagramação: Daniela Mountian
    ISBN: 9788561096137 

    Formato: 13,8x19
    Peso: 0,200kg
    Páginas: 128
    1 ª edição: 2018

    Sobre o autor

    Franzino e epilético, Fiódor Dostoiévski (1821-1981), nascido em Moscou, foi o segundo filho de uma penca de oito. Seu pai, Mikhail Dostoiévski (1787-1839), era médico — dizem que morto pelos próprios servos — e sua mãe, Maria Netcháieva (1800-1837), vinha de uma família de comerciantes. Após a morte de Maria, de tuberculose, Fiódor ingressou na Escola de Engenharia da guarda imperial, em Petersburgo, época em que a atração pela literatura despertou no jovem de 16 anos — ele passava todas as horas vagas debruçado em livros. Não demorou muito para Fiódor abandonar a engenharia e enveredar definitivamente para as letras. Deu seus primeiros passos como tradutor e, em 1845, concluiu seu romance Gente pobre. Alguns anos após seu début, Dostoiévski, em 1849, aos 28 anos, foi sentenciado à morte com membros do Círculo de Petrachévski, acusado de conspirar contra o governo. Minutos antes da execução, a pena foi comutada e ele enviado à Sibéria para cumprir quatro anos de trabalhos forçados — o período produziu uma mudança profunda no escritor.
    Fiódor Dostoiévski consagrou-se por romances viscerais como Crime e Castigo (1866) e O idiota (1868), mas também deixou um legado inestimável de prosa curta. Dois exemplos são Bobók & Meia carta «de um sujeito», que apareceram primeiramente nas páginas da revista O cidadão. A controversa publicação fundada pelo príncipe Meschiérski (1839-1914), conhecido pelas posições ultraconservadoras, foi editada em 1873 por Dostoiévski (um ano depois de Os demônios sair), que já tinha tido experiência jornalística com suas revistas O tempo (1861) e A época(1864), ao lado de seu irmão mais velho, Mikhail. Na Cidadão, Dostoiévski possuía uma coluna, chamada Diário de um escritor, que reunia textos ficcionais, ensaios e crônicas. A coluna obteve tamanho sucesso — ele era mais conhecido por ela que por seus romances — que, a partir de 1876, tornou-se uma publicação independente. O último ano do Diário coincidiu com o da morte do autor, aos 59 anos, dois meses depois de seu último romance, Irmãos Karamázov, ser publicado.

     


    Imprensa
    Ilustrada, Folha de S. Paulo 30/06/18, por Henrique Canary
    Aliás, Estado de S. Paulo 22/09/18, por Gutemberg Medeiros

    Sobre os tradutores
    Daniela Mountian é tradutora, designer e criadora da Kalinka, editora dedicada à cultura russa. Fez pela USP graduação em história, mestrado sobre Fiódor Sologub e doutorado-sanduíche sobre Daniil Kharms, com estágio de um ano na Casa de Púchkin, em São Petersburgo. Atualmente é pós-doutoranda do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada (USP), com apoio da FAPESP. Traduziu com seu pai, Moissei, o conto “Luz e sombras”, de F. Sologub, para a Nova antologia do conto russo (Editora 34, 2011), e “Ivan Fiódorovitch Chponka e sua titia”, de Nikolai Gógol, para a Antologia do humor russo (Editora 34, 2018); e os livros Diário de um escritor (1873): Meia carta de um sujeito, de Fiódor Dostoiévski (Hedra, 2016), e A ressurreição do lariço (Contos de Kolimá 5), de Varlam Chalámov (Editora 34, 2016). Com Yulia Mikaelyan, Daniela traduziu O ofício e O compromisso, ambos de Serguei Dovlátov (Kalinka).
    Moissei Mountian, nascido na Moldávia (URSS), é formado em engenharia civil. Em 1972, mudou-se com sua esposa, Sofia Mountian, para o Brasil, onde, em 2008, fundou com sua filha Daniela a editora Kalinka e começou a trabalhar como tradutor. Foi indicado duas vezes ao Prêmio Jabuti pelas traduções de O diabo mesquinho, de Fiódor Sologub (Kalinka, 2008), e "Os sonhos teus vão acabar contigo" : prosa, poesia e teatro, de Daniil Kharms (Kalinka, 2103, com Aurora Fornoni Bernardini e Daniela Mountian). Também traduziu Encontros com Liz e outras histórias, de Leonid Dobýtchin (Kalinka, 2009), e, em parceria com sua filha, Diário de um escritor (1873): Meia carta de um sujeito, de Fiódor Dostoiévski (Hedra, 2016); A ressurreição do lariço: Contos de Kolimá 5, de Varlam Chalámov (Ed. 34, 2016), e o conto“Ivan Fiódorovitch Chponka e sua titia”, de Nikolai Gógol, para a Antologia do humor russo (Editora 34, 2018).