Encontros com Liz e outras histórias (Leonid Dobýtchin)

    R$ 36,00 R$ 36,00 36.0 BRL

    R$ 36,00

    Option not available

    This combination does not exist.

    Adicionar ao carrinho



    A Kalinka lança a coleção "Contos russos modernos (1900-1930)" com Leonid Dobýtchin, um dos expoentes do modernismo russo.
    Encontros com Liz e outras histórias reúne contos escritos entre 1923 e 1931. Com uma linguagem inovadora, concisa e irônica, passando "do real ao grotescamente absurdo", e uma narração moderna, em planos justapostos, na qual muitas vezes não sabemos onde estamos – ora atropelados por um desfile, com estandartes batendo nos narizes, ora sozinhos sob uma meia-lua furtiva, pesada e opaca –, testemunhamos recortes do cotidiano do novo mundo soviético. Imagens se destacam, como "snapshots cinematográficos", e se espelham ao longo dos contos, que formam um corpo único, sem, contudo, perder-se a unidade interna de cada história: debaixo de nuvens de chuva ou sob um pôr do sol ameno, ao som de trombetas e rojões ou em completo silêncio, surgem marinheiros, loucos, mendigos, burocratas, beatas, camponeses, soldados, prostitutas – saindo das igrejas, indo às repartições, acotovelando-se nas passeatas, correndo aos funerais.

    A coleção "Contos russos modernos (1900-1930)", centrada na produção do primeiro terço do século XX, privilegia uma plêiade de escritores que, com a consolidação do regime totalitarista, foi condenada ao esquecimento, até ser redescoberta na década de 1990. Como uma cápsula no tempo, escondida no subsolo, esses artistas são testemunhas literárias de um passado ainda muito velado, com um legado de poéticas singulares e vanguardistas.

    Tradução: Moissei Mountian
    Prefácio: Aurora Fornoni Bernardini
    Capa e ilustrações: Fernando Vilela
    ISBN: 978-85-6109-601-4
    Formato: 14x21cm
    Peso: 0,225kg
    Páginas: 184

    1ª edição: 2009

    Sobre o autor

    "No fim de 1987, um pouco depois de voltar de Estocolmo, onde fora receber o Nobel de literatura, Joseph Brodsky falava a um grupo de estudantes e professores da Universidade de Harvard. O escritor Arkádi Lvóv lembra o episódio no jornal:
    "– Qual dos escritores...

    Brodsky nem terminou de ouvir a pergunta:

    – Minha altivez é a poesia.

    – Mesmo assim, quem o senhor considera o maior escritor russo pós-revolucionário?

    Brodsky refletiu. Ouviam-se vozes de todos os lados:

    – Bulgákov, Platónov, Bábel, Zóschenko...

    – Dobýtchin – proferiu Bródski rapidamente. – Leonid Dobýtchin."

    (Extraído de um artigo de V. Mechkóv, publicado em Gazeta da Cidade, Evpatória, Ucrânia, ago-out, 2007, nº 29-39).

    O nome de Leonid Ivánovitch Dobýtchin (1894-1936), hoje aclamado mundialmente, desapareceu na década de 1930 e só foi redescoberto depois de 1990, junto com uma safra de escritores vanguardistas e modernistas russos obscurecida pela censura da era stalinista. Natural de Dvinsk (atual Daugavpils, Letônia), Leonid Dobýtchin enfrentou uma vida repleta de dificuldades. Trabalhou como estatístico em cidades do norte da Letônia e da Rússia, dividindo quartos de solteiro com a mãe, uma parteira, e os três irmãos. Apenas aos 40 anos ele pôde escrever em tempo integral, numa escrivaninha própria, quando recebeu da União dos Escritores Soviéticos um quarto num apartamento comunal em São Petersburgo. Sua morte, em 1936, permanece inexplicada (provável suicídio). No momento em que Stálin declarou guerra ao formalismo, Dobýtchin foi acusado de ser o maior dos formalistas e politicamente míope, e por isso, talvez ainda agravado por sua homossexualidade e por sua figura voluntariosa, foi considerado um inimigo da classe. Ele defendeu-se das acusações e desapareceu no dia seguinte. Nunca mais ninguém o viu.

    A poética minimalista de Dobýtchin, muitas vezes comparada à de escritores como Joyce e Nabókov, expressa as contradições entre a nova iconografia que nascia com o totalitarismo soviético e os velhos símbolos de uma Rússia provinciana, mística e religiosa. Em vida publicou duas coletâneas de contos, Encontros com Liz (1927) e O retrato (1931) –  reunidos em Encontros com Liz e outras histórias – e o romance A Cidade N (1935). Escreveu mais dois livros, publicados anos depois de sua morte, Os Selvagens (1989) e O Clã do Churka (1993), este que recebeu o prêmio “Internacional Book of the Year” do Times Literary Supplement de 1994.

     


    Imprensa
    Revista Errática 14/08/09
    Folha de S. Paulo, Guia da Folha 25/09/09
    Revista Fevereiro 21/12/10
    Lendo os clássicos 15/11/15, por Luiz Ruffato

    Sobre o tradutor e colaboradores
    Moissei Mountian, nascido na Moldávia (URSS), é formado em engenharia civil. Em 1972, mudou-se com sua esposa, Sofia Mountian, para o Brasil, onde, em 2008, fundou com sua filha Daniela a editora Kalinka e começou a trabalhar como tradutor. Foi indicado duas vezes ao Prêmio Jabuti pelas traduções de O diabo mesquinho, de Fiódor Sologub (Kalinka, 2008), e "Os sonhos teus vão acabar contigo" : prosa, poesia e teatro, de Daniil Kharms (Kalinka, 2103, com Aurora Fornoni Bernardini e Daniela Mountian). Também traduziu Encontros com Liz e outras histórias, de Leonid Dobýtchin (Kalinka, 2009), e, em parceria com sua filha, Diário de um escritor (1873): Meia carta de um sujeito, de Fiódor Dostoiévski (Hedra, 2016); A ressurreição do lariço: Contos de Kolimá 5, de Varlam Chalámov (Ed. 34, 2016); e o conto“Ivan Fiódorovitch Chponka e sua titia”, de Nikolai Gógol, para a Antologia do humor russo (Editora 34, 2018). Com Irineu Franco Perpetuo, verteu Salmo, de Friedrich Gorenstein (Kalinka, 2017).
    Aurora Fornoni Bernardini, ensaísta, escritora, pintora e tradutora, nasceu na Itália e aos 13 anos se mudou com seus pais para o Brasil. Formou-se em Línguas Orientais (Russo) e Anglo-germânicas pela Universidade de São Paulo (USP), onde ainda concluiu seu mestrado, doutorado e livre-docência. Atualmente é professora de pós-graduação da USP nas disciplinas de Literatura e Cultura Russa, Teoria Literária e Literatura Comparada. Traduziu diversos livros do russo, como Ka, de Velímir Khlébnikov (Perspectiva, 1977); O Tenente Quetange, de Iuri Tyniánov (Cosac Naify, 2002); Maria: uma peça e cinco histórias, de Isaac Bábel (Cosac Naify, 2003, com Homero Freitas de Andrade); Indícios Flutuantes, coletânea de poemas de Marina Tsvetáieva (Martins Fontes, 2006); O exército de cavalaria, de Isaac Bábel (Cosac Naify, 2006, com Homero Freitas de Andrade); Vivendo sob o fogo: confissões, de Marina Tsvetáieva (Martins, 2008); “Os sonhos teus vão acabar contigo”: prosa, poesia, teatro, de Daniil Kharms (Kalinka, 2013, com Daniela e Moissei Mountian). Em 2004, ficou, com Haroldo de Campos, na segunda colocação do prêmio Jabuti pela tradução de Ungaretti: Daquela Estrela à Outra (Ateliê, 2003). Em 2006, foi vendedora dos prêmios APCA (com Homero Freitas de Andrade) e Paulo Rónai, respectivamente pelas traduções de O exército de cavalaria e Indícios Flutuantes. Em 2007, foi contemplada com o Jabuti (terceiro lugar) também por Indícios Flutuantes. Em 2014, foi finalista do Jabuti pela tradução de “Os sonhos teus vão acabar contigo”: prosa, poesia, teatro.

    Fernando Vilela, artista plástico, escritor, ilustrador e professor, é mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo. Como artista plástico, desenvolve pesquisa e trabalhos em gravura, escultura e instalação. Realiza com frequência exposições e ministra cursos, palestras e workshops, tanto no Brasil como no exterior. Pelo livro Lampião e Lancelote (Cosac Naify, 2006), com desenhos e texto de sua autoria, recebeu o prêmio Jabuti e o Bologna Ragazzi Award, ambos concedidos em 2007.

    A Kalinka lança a coleção "Contos russos modernos (1900-1930)" com Leonid Dobýtchin, um dos expoentes do modernismo russo. Encontros com Liz e outras histórias reúne contos escritos entre 1923 e 31. Com uma linguagem inovadora, concisa e irônica, passando "do real ao grotescamente absurdo", e uma narração moderna, em planos justapostos, na qual muitas vezes não sabemos onde estamos – ora atropelados por um desfile, com estandartes batendo nos narizes, ora sozinhos sob uma meia-lua furtiva, pesada e opaca –, testemunhamos recortes do cotidiano do novo mundo soviético. Imagens se destacam, como "snapshots cinematográficos", e se espelham ao longo dos contos, que formam um corpo único, sem, contudo, perder-se a unidade interna de cada história: debaixo de nuvens de chuva ou sob um pôr-do-sol ameno, ao som de trombetas e rojões ou em completo silêncio, surgem marinheiros, loucos, mendigos, burocratas, beatas, camponeses, soldados, prostitutas – saindo das igrejas, indo às repartições, acotovelando-se nas passeatas, correndo aos funerais. A coleção "Contos russos modernos (1900-1930)", centrada na produção do primeiro terço do século XX, privilegia uma plêiade de escritores que, com a consolidação do regime totalitarista, foi condenada ao esquecimento, até ser redescoberta na década de 1990. Como uma cápsula no tempo, escondida no subsolo, esses artistas são testemunhas literárias de um passado ainda muito velado, com um legado de poéticas singulares e vanguardistas.

    • ISBN : 9788561096014
    • Formato 210.0 x 140.0
    • Peso 0.225
    • Páginas 184
    • Disponível em
    • Book status