Kalinka na Escola

 


Serguei Dovlátov 

“Pautas direcionadas, textos expurgados, entrevistas inventadas, fatos distorcidos para se adequarem a um objetivo preestabelecido: a enumeração desses procedimentos parecerá perturbadoramente familiar a quem acompanha o dia a dia do jornalismo do Terceiro Milênio. Em O compromisso, contudo, eles aparecem bem delimitados no tempo e no espaço. São as características definidoras da usina ininterrupta de fake news da URSS, descrita por um observador para lá de sarcástico: Serguei Dovlátov (1941–1990)” (Irineu Franco Perpetuo).

O ofício

Em O ofício, uma novela em duas partes (Resmesló, 1985), o cultuado escritor Serguei Dovlátov descreve com impagável (auto) ironia “as peripécias de seus manuscritos” — sua biografia literária — em dois momentos da vida: na URSS e em Nova Iorque, após ter emigrado (1979).

Parque Cultural

Em Parque Cultural (1983), Serguei Dovlátov nos conduz a um estranho lugar no qual “tudo vive e respira Púchkin”.  A novela, das mais notáveis do escritor, toca ainda em questões da estagnação da era Bréjnev, nos anos 1970, como o alcoolismo, a censura, o antissemitismo e a emigração. E tudo permeado por um humor cáustico e inconfundível.  

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Aulas de literatura russa

Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein, de Aurora Fornoni Bernardini, apresenta um rico material que, se não propriamente um panorama das letras russas, está muito próximo disso. Há desde textos dedicados aos românticos, como Aleksandr Púchkin e Nikolai Gógol, até aos contemporâneos, como Ióssif Bródski e Serguei Dovlátov. 

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Poesia contemporânea

Dono de uma escrita interessante e engenhosa, com flechadas de ironia em momentos de puro lirismo, Kupriyánov, um dos pioneiros do verso livre na Rússia, nos coloca diante de questões intrinsecamente humanas, como o tempo, o amor e a morte, sem deixar de lidar com elementos da atualidade.

Absurdismo: Kharms

Com humor e nonsense, Daniil Kharms (1905-1942), precursor da literatura do absurdo na Rússia, desvela o trágico da vida, sai em busca de um real que parte da vida em si mesma, da “<...> vida verdadeira que só pode ser captada nas coisas mais esquisitas, nas atitudes mais desastrosas, nas ocorrências sem sentido, que são ao mesmo tempo banais e excepcionais”.

Decadentismo: Sologub

As situações de O Diabo Mesquinho, escrito por Fiódor Sologub (1863-1927) durante dez anos, beiram o nonsense e tocam, ao mesmo tempo, em questões cheias de concretude e violência, permeadas por passagens poéticas e pessimistas. Uma obra-prima do simbolismo russo. 

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Modernismo: Dobýtchin

A poética minimalista de Leonid Dobýtchin (1894-1936), hoje um dos modernistas mais respeitados na Rússia, muitas vezes comparada à de escritores como Joyce e Nabókov, expressa as contradições entre a nova iconografia que nascia com o mundo soviético e os velhos símbolos de uma Rússia provinciana, mística e religiosa. 

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Salmo: Gorenstein

Seguindo a tradição de autores como Thomas Mann e Mikhail Bulgávov, Friedrich Gorenstein (roteirista com Tarkóvski de Solaris e Andrei Rublióv) utiliza no romance Salmo passagens bíblicas, mas o faz à sua maneira: transporta-as diretamente para o século 20, discutindo as manifestações do Mal e as profecias bíblicas, a relação da humanidade com seus ídolos, suas crenças e seu destino.