LEONID DOBÝTCHIN

Coleção Contos Russos Modernos.

Tradução Moissei Mountian. Prefácio: Valéri Sájin. Capa: Karina Aoki.

Julho/2020 

3 x DOVLÁTOV

Em  O ofício (1985),  uma novela em duas partes, o cultuado escritor Serguei Dovlátov descreve com impagável (auto)ironia “as peripécias de seus manuscritos” — sua biografia literária — em dois momentos da vida: na URSS e em Nova Iorque, após ter emigrado.
Em O compromisso (1981), o autor narra sua incursão pelo jornalismo na gazeta Estônia Soviética, em Tállin, cidade onde morou entre 1972 e 1975. As doze histórias contidas no livro, sempre hilárias, transitam entre jornalismo e literatura, entre realidade e ficção, com personagens delineadas por um mestre da prosa curta e do humor.
Em Parque Cultural (1983), Dovlátov nos conduz a um estranho lugar no qual “tudo vive e respira Púchkin”. A novela, das mais notáveis do escritor, toca ainda em questões da estagnação da era Bréjnev, nos anos 1970, como o alcoolismo, a censura, o antissemitismo e a emigração. E tudo permeado por um humor cáustico e inconfundível.  

AULAS DE LITERATURA RUSSA

Aulas de literatura russa: de Púchkin a Gorenstein , de Aurora Fornoni Bernardini, apresenta um rico material que, se não propriamente um panorama das letras russas, está muito próximo disso. Há desde textos dedicados aos românticos, como Aleksandr Púchkin e Nikolai Gógol, até aos contemporâneos, como Ióssif Bródski e Serguei Dovlátov. 

POESIA CONTEMPORÂNEA

Dono de uma escrita arguta e engenhosa, com flechadas de ironia em momentos de puro lirismo, Kupriyánov, um dos pioneiros do verso livre na Rússia, nos coloca em  Luminescência  diante de questões intrinsecamente humanas, como o tempo, o amor e a morte, sem deixar de lidar com elementos da atualidade. 

ABSURDISMO: KHARMS

Com humor e  nonsense , Daniil Kharms , precursor da literatura do absurdo na Rússia, desvela o trágico da vida, sai em busca de um real que parte da vida em si mesma, da “<...> vida verdadeira que só pode ser captada nas coisas mais esquisitas, nas atitudes mais desastrosas, nas ocorrências sem sentido, que são ao mesmo tempo banais e excepcionais”.

SIMBOLISMO: SOLOGUB

As situações de  O Diabo Mesquinho , escrito por Fiódor Sologub durante dez anos, beiram o  nonsense  e tocam, ao mesmo tempo, em questões cheias de concretude e violência, permeadas por passagens poéticas e pessimistas. Uma obra-prima do simbolismo russo. 

MODERNISMO: DOBÝTCHIN

A poética minimalista de Leonid Dobýtchin, hoje um dos modernistas mais respeitados na Rússia, muitas vezes comparada à de escritores como Joyce e Nabókov, expressa as contradições entre a nova iconografia que nascia com o mundo soviético e os velhos símbolos de uma Rússia provinciana, mística e religiosa. 

SALMO: GORENSTEIN

Seguindo a tradição de autores como Thomas Mann e Mikhail Bulgávov, Friedrich Gorenstein (roteirista com Tarkóvski de  Solaris  e  Andrei Rublióv ) utiliza no romance  Salmo  passagens bíblicas, mas o faz à sua maneira: transporta-as diretamente para o século XX, discutindo as manifestações do Mal e as profecias bíblicas, a relação da humanidade com seus ídolos, suas crenças e seu destino. 

MEDIUM

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